terça-feira, 1 de setembro de 2020

Coveiro de mim mesmo

 

Vou enterrar boa parte de um passado inútil

Sou coveiro de mim mesmo

Não sinto o cheiro do cadáver que caminha solitário

Não vejo nuvens em céus sem discórdia e não acredito na língua afiada da paixão

Estou velando boa parte dos meus vinte e poucos anos que se foram

E o enterro é hoje!

Estou enterrando alguns amigos ainda vivos

São cafonas mentirosos e fascistas

Elegeram um verme

Vou cantar bem alto quase que gritando

Porque meu blues é um grito

Meu coração é um instrumento de cordas sopros e teclas

(solo de gaita ou guitarra )

Vou enterrar boa parte de um passado inútil

Sou coveiro de mim mesmo

Não vejo carros passando em baixo da minha janela

Não vejo as meninas me olhando

Agora o tempo esta mais veloz

E eu mais esperto e inteligente

Fico quieto e bolo um plano

De não visitar mais parentes nem amigos doentes de alma

Perde tempo no tabuleiro da vida

Quando tomei decisões erradas e voltei a morar em cidades cafonas e pequenas

Em casa de tios que não conhecia direito

Mas quando abri os olhos já estava na estrada de novo

No tabuleiro da vida não perdi muito tempo

Estou enterrando agora boa parte do meu passado